Sobre os cestos tradicionais manufaturados pelas mulheres Nyaneka-nkhumbi de Angola

Domingos Dias, Cecília Costa, Pedro Palhares

Resumen


Resumo

Este artigo tem como finalidade recuperar, valorizar, explorar e analisar as experiências geométricas praticadas pelas mulheres Nyaneka-nkhumbi do sudoeste de Angola evidenciadas no processo de construção de cestos de dimensões diversas. Nele mostramos a matemática ‘escondida’ no mesmo processo. Identificamos vários conceitos geométricos deixando antever a sua possibilidade de utilização em sala de aula. Neste artigo apresentam-se os resultados da pesquisa desenvolvida no local recorrendo à observação participante e a entrevistas, apoiadas pelo registo fotográfico e notas de campo. As mulheres deste grupo étnico continuam a construir e a utilizar cestos os quais envolvem muitos conceitos de geometria interessantes no contexto de sala de aula. Referimo-nos, por exemplo, à noção de volume, a formas geométricas cónicas (truncadas) e cilíndricas, espirais, proporções, figuras geométricas, padrões, transformações do plano e frisos. As práticas matemáticas notáveis nos cestos caracterizam-se de vários conhecimentos etnomatemáticos pouco divulgados que constituem um desafio para os próximos estudos. 

Abstract

This paper aims to recover, develop, explore and expand the geometric practices of women of the ethnic group Nyaneka-nkhumbi from southwestern Angola as evidenced in the construction of baskets of different dimensions. We show the mathematics ‘hidden’ in the process by identifying several of these mathematics concepts and reflecting on their use in the classroom. We present the results of the research developed in connection with the ethnic group using participant observation and interviews, supported by photographic records and written notes. Women of this ethnic group continue to build and use baskets which involve many interesting geometry concepts for use in classroom context. We refer, for example, to the notion of volume, conic (truncated) and cylindrical forms, spirals, proportions, geometric figures, patterns, plane transformations and friezes. e remarkable mathematical practices in the baskets are characterized by much unknown ethnomathematical knowledge that constitutes a challenge for future studies. 


Palabras clave


Etnomatemática; Práticas matemáticas dos Nyaneka-nkhumbi, Cestos tradicionais.

Referencias


Carmo, H., & Ferreira, M. M. (1998). Metodologia da Investigação. Guia para Auto-aprendizagem. Lisboa: Universidade Aberta.

D’Ambrosio, U. (2001). Etnomatemática – elo entre as tradições e a modernidade . Belo Horizonte: Autêntica.

D’Ambrosio, U. (2008). Globalização, educação multicultural e o programa etnomatemática. In P. Palhares (Coord.), Etnomatemática – Um Olhar sobre a Diversidade Cultural e a Aprendizagem Matemática (pp.25-46). Ribeirão: Edições Húmus.

Dias, D. (2011). Ensaio Etnomatemático sobre o Grupo Étnico Nyaneka-nkhumbi do Sudoeste de Angola (Tese de Mestrado não publicada). Universidade do Porto, Porto, Portugal.

Dias, D., & Costa, C. (2011). Ethnomathematic essay on ornaments of south-western Angola Nyanekankhumbi women. In A. Isman, & C. S. Reis, (Coords.), Proceedings of the Internacional Conference on New Horizons in Education – INTE2011 (pp. 428-434). Guarda: Instituto Politécnico da Guarda.

Dias, D., Costa, C., & Palhares, P. (2013). Ethnomathematics of the southwestern Angola Nyanekankhumbi ethnic group and its application to mathematics education. Quaderni di Ricerca in Didattica (Mathematics) , 23(1), 498-507.

Estermann, C. (1970). Penteados, adornos e trabalhos das muílas. Lisboa: Junta de Investigações do Ultramar.

Gerdes, P. (1982). Mathematics for the benefit of the people , Comunicação apresentada em CARIMATH, Paramaribo, (policopiado).

Gerdes, P. (1991). Cultura e o despertar do pensamento geométrico . Maputo: Instituto Superior Pedagógico.

Gerdes, P. (2007a). Etnomatemática – Reflexões sobre matemática e diversidade cultural. Ribeirão: Edições Húmus.

Gerdes, P. (2007b). OTTHAVA. Fazer cestos e geometria na cultura Makhuva do Nordeste de Moçambique. Nampula: Universidade Lúrio.

Gerdes, P. (2007c). Geometria e cestaria dos Bora na Amazônia peruana . Morrisville: Lulu.

Gerdes, P. (2011a). Mulheres, Cultura e Geometria na Áica Austral: Sugestões para Pesquisa. Maputo: Lulu.

Gerdes, P. (2011b). Mundial de futebol e de trançados . Morrisville: Lulu

Gerdes, P. (2012). Etnogeometria. Cultura e o despertar do pensamento geométrico . Morrisville: Lulu

Kuoni, B. (2003). Cestería Tradicional Ibérica. Barcelona: Ediciones del Aguazul.

Vieira, L. (2006). Etnomatemática – estudo de elementos geométricos presentes na cestaria (Tese de Mestrado não publicada). Universidade do Minho – Instituto de Estudos da Criança. Portugal.

Vieira, L., Palhares, P. & Sarmento, M. (2008). Etnomatemática: estudo de elementos geométricos presentes na cestaria. In P. Palhares, (Coord.), Etnomatemática – Um Olhar sobre a Diversidade Cultural e a Aprendizagem Matemática (pp. 291-315). Ribeirão: Edições Húmus.


Enlaces refback

  • No hay ningún enlace refback.


Copyright (c) 2017 Revista Latinoamericana de Etnomatemática



Revista Latinoamericana de Etnomatemática: perspectivas socioculturales de la Educación Matemática
e-ISSN: 2011-5474
Departamento de Matemáticas y Estadística- Universidad de Nariño
San Juan de Pasto- Colombia
E-mail: revista@etnomatematica.org
Sitio web: http://www.revista.etnomatematica.org
Tele-fax: (57)2+7310327

Licencia Creative Commons
Revista Latinoamericana de Etnomatemática por Universidad de Nariño y Red Latinoamericana de Etnomatemática se distribuye bajo una Licencia Creative Commons Atribución 4.0 Internacional.